ARTIGO

Alerta: ambientes tóxicos matam talentos!

Texto de Fabiana Marcon

 

Quer reter os melhores talentos? Desenvolva seus líderes!

Mas qual exatamente a relação de bons líderes e a retenção dos melhores talentos? Claro que pessoas capacitadas e talentosas se motivam com bons líderes e tendem a valorizar posições e empresas onde encontram líderes inspiradores.

Mas a correlação vai além, muito além, disso.

 

“Pessoas não abandonam empregos. Abandonam ambientes tóxicos.”

A frase é uma tradução (não literal) da Dra. Amina Aitsi-Selmi, especialista em carreira e liderança.

E é sobre isso que quero falar: “ambientes tóxicos”. Esses ambientes são, normalmente, resultado de lideranças equivocadas. Prejudicam a todos, inibem e afastam os talentos. E o mais grave é que os colaboradores mais talentosos são os primeiros a sair, justamente, por não conseguir conviver com tais equívocos.

Em um artigo anterior falei sobre a importância do líder saber ouvir e aceitar opiniões contrárias às suas. Líderes que não escutam as equipes impõem suas opiniões, ignoram a inteligência dos seus colaboradores, não conseguem manter talentos no time.

Em outro artigo, falei sobre liderança pela influência: líderes que conquistam a confiança da equipe, que inspiram e conseguem influenciar seu time, e como essa liderança engaja e motiva as pessoas gerando maior comprometimento e resultados. Enquanto os líderes que não tem essa habilidade, acabam tentando mandar nas equipes, que, sem liberdade de expressão e senso de responsabilidade sobre o que executam, sentem-se desmotivadas, menos engajadas e geram resultados inferiores.

Se você ainda não leu esses artigos anteriores, recomendo, porque ajudam a compreender facilmente onde quero chegar aqui.

Pense nesse cenário: líderes autoritários, sem a confiança da equipe, que não escutam seus colaboradores, não dão espaço para manifestações contrárias às suas, ordenando e cobrando ações… Eles estão criando um “ambiente tóxico”.

E não apenas porque o líder é fraco e inadequado. Mas porque suas atitudes, por consequência, criam um ambiente insustentável.

Nesse ambiente, as pessoas ficam intimidadas, não falam o que pensam e sentem, executam tarefas das quais discordam e sequer acreditam nos resultados. Reprimem suas ideias e sentimentos porque têm medo de se expressar e serem ofendidos ou punidos, sequer apoiam colegas que ousem se manifestar. E, acreditem, boicotam a empresa: chegam ao ponto de torcer para que a estratégia desenhada e imposta pelo líder (e executada por eles mesmos!) fracasse.

Pense: o quão tóxico é um ambiente para uma pessoa chegar ao ponto de trabalhar torcendo contra si mesmo?

É assim que as equipes se paralisam. Ao invés de investir seu tempo pensando e planejando soluções para melhorar resultados e resolver problemas da empresa e dos clientes, gastam tempo desabafando entre pares, tramando contra a força que os desmotiva, planejando uma saída.

Equipes assim não se engajam nas causas da empresa, não inovam, não atingem resultados. Adoecem.

E o que parecia um problema de liderança, passa a ser um problema de clima, de resultado, de saúde: um desastre organizacional.

É esse emaranhado de sentimentos ruins e comportamentos piores que os profissionais com capacidade de discernimento e de recolocação rejeitam. Os melhores talentos são os primeiros a perceber que merecem algo melhor: mais espaço para inovar, mais respeito por sua opinião, mais autonomia, mais direito de pensar e falar, mais condições de atingir resultados, mais felicidade no trabalho.

Há um ditado que fala que a empresa deve se preocupar quando seus maiores talentos se calam.

E é verdade: quando os principais talentos da empresa desistem de se manifestar abertamente é sinal de que a toxicidade do ambiente chegou em níveis difíceis de administrar. E a evasão destes talentos é questão de tempo. Pouco tempo.

Segundo a escritora Brigette Hyacinth, há 10 sinais que demonstram que a empresa está vivendo um ambiente tóxico:

  1. O modo como a empresa funciona no dia-a-dia não reflete os valores da empresa. (mais sobre isso aqui)
  2. Os funcionários têm medo de dar feedback sincero.
  3. Pouca ou nenhuma autonomia é dada aos funcionários.
  4. A liderança culpa os funcionários pelos maus resultados.
  5. Altos índices de doenças ou faltas na equipe.
  6. O trabalho excessivo é esperado e valorizado.
  7. Há pouca interação com a liderança e normalmente as conversas são tensas.
  8. As fofocas são constantes.
  9. Mesmo quando há política de meritocracia, o favoritismo está presente.
  10. Percebe-se comportamento agressivo.

 

Se para motivar e engajar equipes um bom líder é uma peça chave, o oposto também é verdadeiro. Um mau líder é capaz de destruir times e negócios.

Por isso, cada vez mais, a qualificação e capacitação das lideranças, em todos os níveis, assume papel fundamental nas empresas.

Difundir a cultura organizacional, provocar a inovação, desafiar, ouvir, remover obstáculos, influenciar, direcionar… e gerar resultados, como consequência.

Então, quer uma equipe repleta de talentos? Comece pelo líder!

 

Fabiana Marcon é co-fundadora de Self Guru, foi diretora de marketing da Dell Computadores América Latina, diretora da marketing corporativo do Grupo RBS e diretora-geral de Rádios e Eventos do Grupo RBS.