ARTIGO

Transição de Carreira: 2018, o ano que mudou a minha vida!

Por Eberson Terra, LinkedIn Top Voices 2018, atualmente em período sabático

Sabe aquela sensação de que algo anda errado na sua vida? Você pode até continuar levantando, indo trabalhar e voltar para casa, mas ao colocar a cabeça no travesseiro parece que não está tão satisfeito com a forma que encara as coisas?

Eu sei, você ama o que faz e eu também! Sua empresa é muito legal, tem colegas incríveis, mas uma voz aí no seu interior diz que para ser mais feliz e completo é necessária alguma mudança, algo que você ainda não sabe exatamente o que é.

Bem, isso aconteceu comigo.

No começo, conversei com a minha esposa, procurei entender o que estava acontecendo já que a vida profissional e pessoal ia de vento em popa, mesmo assim eu sentia que era preciso mudar.

O estopim desta situação foi anos atrás quando recebi uma ligação com a triste notícia do falecimento de uma colega de trabalho e na época eu não me permiti refletir sobre aquela perda.

Eram dias difíceis na empresa, tínhamos muita coisa para fazer naquele começo de ano e encarei aquilo como uma forma de honrar a memória daquela amiga que se foi, me embrenhando ainda mais no lavoro.

Mas eu sabia que a conta iria chegar, cedo ou tarde! Seria necessário parar para pensar na minha vida e refletir como eu encarava tudo o que estava a minha volta.

Vitórias e metas recém alcançadas estavam sendo substituídas por um baita vazio que foi ficando cada vez maior na prateleira dos meus sonhos que aos poucos fui conquistando. O entusiasmo curiosamente ficava de lado enquanto eu só pensava em trabalhar de forma desenfreada.

Confesso que estava no automático! Objetivei a minha existência transformando-a em uma lista de afazeres, um backlog que precisava ser vencido como se eu fosse um moedor de carne.

Sabe como é?

A falta de equilíbrio e a descoberta do que fazer

Um dia me deparei com um artigo na web sobre a crise da meia-idade, aquela síndrome que costuma aparecer nas pessoas entre os 40 e 45 anos. Eu ainda estava com 30 na época, mas os sintomas eram idênticos aos que lia.

Insegurança, sensação da falta de propósito, esgotamento mental e principalmente o medo de não deixar um legado, não aquele financeiro, mas de não ter feito a diferença na vida das pessoas ao meu redor, medo de que amigos e parentes não sentissem a falta de conversar comigo, de dividir momentos felizes ou tristes e tantas outras experiências, que eu mesmo não estava dando mais a devida importância.

Percebi então que faltava EQUILÍBRIO. Eu gastava mais horas remoendo problemas do que realmente produzindo, trabalhava sem a devida vontade, mas ocupava a mente até a exaustão com coisas pequenas de tal forma que não conseguia me desligar ao fechar o laptop e ir para casa.

Mesmo amando o que fazia, feliz na empresa que estava e muito a vontade com meus colegas de trabalho, era preciso fazer aquela reflexão interna. Primeiro para descobrir aquilo que sentia falta e não sabia, segundo para reequilibrar minha vida.

Naquela época, eu tinha muitas responsabilidades e tentar fazer essa reeducação buscando o equilíbrio seria muito difícil e até injusto com a própria empresa já que ocupava uma posição de diretoria e não poderia continuar na organização sem estar 100% focado, então veio a decisão de tirar um Período Sabático!

Após 4 anos de planejamento, veio o momento da mudança!

Depois de um longo período de planejamento financeiro, de trabalho e de vida, finalmente oficializei minha saída da companhia onde fiquei por 12 anos. Eu iria passar um tempo indeterminado fora do mercado para focar totalmente na busca do equilíbrio.

Logo que o sabático começou eu já enfrentei minha primeira crise de ansiedade. Se antes imaginava que ficar sem produzir algo, como se estivesse em férias prolongadas seria o método ideal para a reflexão, mas veio aquela sensação de fracasso.

Eu sabia que voltar ao mercado formal sendo novamente um executivo de uma grande empresa estava fora de cogitação naquele momento, mas ficar totalmente sem exercitar a mente fazendo algo produtivo seria o fim da picada.

Naquele momento eu já dava meus primeiros passos escrevendo artigos no LinkedIn, semanalmente usava minhas horas vagas colocando o coração no teclado como forma de liberar a pressão que sentia naquela vida de correrias.

Mas depois, me vendo com tempo de sobra, mergulhei de cabeça na rede. Meu feed estava recheado de profissionais que estavam vivendo situações muito parecidas das que vivi e por isso comecei a me dedicar mais ainda para escrever conteúdos que pudessem ajudar (de alguma forma) aquelas pessoas em seus desafios.

Foram mais de 60 artigos escritos sobre temas como Educação, Ascenção Profissional, Ansiedade e muitos outros que geraram tantos debates construtivos que apostei todas as minhas fichas no LinkedIn, sendo meu único e verdadeiro propósito em 2018: ajudar pessoas!

A metamorfose de executivo para escritor

Estranhamente o equilíbrio que eu buscava de uma maneira, através da reflexão nas viagens que fazia e no descanso laboral, aconteceu de forma completamente diferente!

Ao me ver envolvido em produzir cada vez mais conteúdo que fizesse realmente a diferença para as pessoas que me conectavam no LinkedIn, comecei a tomar gosto pela coisa. Mais horas do meu dia foram depositados na plataforma e mais pautas para artigos foram surgindo na minha mente! Toda semana eu tinha diversos textos prontos para compartilhar, mas segui à risca meu planejamento de toda segunda-feira ter algo com alta relevância para os leitores.

E agora, em novembro de 2018, posso dizer que estou em equilíbrio! A troca sincera e empática no LinkedIn me proporcionou isso!

Hoje posso falar que inicio uma nova carreira: a de criador e escritor de conteúdo.

Eu não começo esta nova etapa profissional por uma simples escolha particular, foi muito teste, muito erro, muito feedback, muito aprendizado e por fim, algo que coroou este esforço e me deu mais energia para tomar essa decisão: Fui agraciado como Top Voice LinkedIn 2018, um título oficial que tive o privilégio de receber nesta semana, o que trouxe a certeza de que estou no caminho certo!

As lições que levo de 2018: o ano que minha vida mudou completamente!

Finalizo este artigo, compartilhando agora as minhas vivências durante este período de mudanças. Foram lições que levarei para o resto da vida e que tenho absoluta certeza que podem te auxiliar, independentemente de sua profissão, a ter resultados mais positivos em uma vida com mais equilíbrio e satisfação!

#1 – Não espere tudo explodir para tomar uma atitude

Você precisará sempre de um Sabático para encontrar o equilíbrio ou seu propósito de vida? Não necessariamente! Apesar de achar uma experiência muito bacana e que cada profissional deveria se dar esta oportunidade ao longo de sua carreira, o ideal é que você consiga encontrar este equilíbrio de uma maneira menos drástica do que foi a minha.

Muita gente fala que ama seu trabalho, mas só vão refletir se estão em desequilíbrio quando a Síndrome de Burnout bater à sua porta. E aí meu amigo, o estrago já estará feito!

#2 – Escute o feedback na empresa, mas em casa também!

Sempre falamos em feedback no ambiente laboral, mas nossos companheiros, pais e amigos são a nossa maior fonte de feedbacks sinceros! No meu caso minha esposa foi a primeira a reparar comportamentos nocivos em mim. Excesso de stress e depois longos períodos de silêncio. Para saber se você está em equilíbrio não se pode apenas observar sua carreira e deixar perecer aquilo que você tem de mais importante: a família!

#3 – Não deu certo! Crie coragem e MUDE!

Muita gente tem a experiência de ir do céu ao inferno em sua vida profissional ou pessoal. A vida é feita de ciclos e estes altos e baixos são naturais. O que vai determinar o impacto que eles causarão na nossa vida é a maneira como os encaramos.

Ao se deparar com estes momentos costumamos a nos amargurar e ter sintomas destrutivos. Continuar vivendo da mesma maneira, sem a reflexão de que algo precisa ser mudado, pode acabar te levando a algo mais sério como a depressão.

Então, ao tomar ciência de que algo está errado, mude e mude rápido! Não precisa, necessariamente, ser uma mudança radical como pedir demissão, jogar tudo para o alto (inclusive não recomendo isso de jeito nenhum!), mas ter a consciência de que pequenos hábitos podem fazer a diferença na sua vida já é um importante passo!

Espero ter contribuído de alguma forma com a minha história! Este artigo é uma forma de agradecimento a todos que me auxiliaram neste período de redescoberta, à minha esposa que me apoiou sempre, ao meu mestre Matheus de Souza e meus queridos amigos da rede.

Vocês fizeram e fazem a diferença na minha vida!