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ARTIGOS




Essa tal produtividade

Texto de Andressa Giongo

Talvez você, assim como eu, nestes últimos meses, tenha ouvido inúmeros comentários tais quais: “aqui na empresa X, nós aumentamos nossa produtividade no período da pandemia, as equipes estão entregando mais, estamos trabalhando muito mais horas do que antes, nossas reuniões têm sido extremamente produtivas, nunca se viu tamanha produção etc…

Além disso, tenho observado empresas atrás de sistemas que façam a gestão de produtividade e monitoramento das pessoas, lives, conteúdos dos mais variados, gestores estufando o peito em reuniões de diretoria, orgulhosos por terem seu time com uma performance considerada acima da média.

Sim, obviamente a produtividade é importante. Sabemos disso. As organizações sustentam seus resultados, seja no curto ou longo prazo, por equipes capazes de produzir e entregar desempenho elevado.

Mas sabe o que me desconforta nessa história toda?

É que parece que nós ainda não aprendemos sobre o que de fato é produtividade. O conceito de produtividade no meio corporativo ainda está atrelado a aquele estereótipo de profissional que trabalha mais de 10/12 horas por dia, aquele que freneticamente faz maratona de reuniões, que não almoça, ou que faz suas refeições em frente ao computador, que está conectado 24×7.

Sim, eu inclusive já pensei dessa forma. O que o tempo fez mudar de ideia e amadurecer, e entender que produtividade tem mais a ver com reduzir o que não é essencial, simplificar e manter o foco nos objetivos grandiosos.

Sim, é um grande desafio. Somos tentados diariamente a assumir mais e mais, queremos pertencer, nos fazer importante. Inclusive Greg McKeown, em seu livro Essencialismo, denomina esse feito como a busca indisciplinada por mais.

Mas por fim, a grande questão é que essa conta está saindo muito cara para as pessoas. Saúde mental é o tema do momento. Sabe por quê? As pessoas adoecem silenciosamente: burnout, depressão, pânico, entre outros. A OMS aponta quem em 2020, a depressão já é a primeira causa de afastamento nas empresas. Sem contar aqueles que frequentemente trabalham de corpo presente, sob tratamento, medicados. Sim, este cenário tem sido muito comum.

Então minha reflexão aqui é para empresas , gestores, profissionais em geral. Que na próxima vez que referirem-se a “tal produtividade” reflitam sobre o que de fato desejamos das nossas equipes e colegas. Se essa produtividade é sustentável e se realmente levará nossas organizações para o próximo nível.

Andressa Giongo é Superintendente de Recursos Humanos na Unimed Porto Alegre e compartilhou esse texto para publicação no blog Inspire-se de Self Guru.

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