ARTIGO

Não sei! E agora?

Texto de Fabiana Marcon

 

No ambiente corporativo, a grande maioria das pessoas tem muita dificuldade em dizer que não sabe uma resposta, que não tem uma determinada informação. Se a pergunta vem do seu gestor então… Tem gente capaz de inventar uma resposta meia-boca, mas dizer que não sabe, nem pensar!

Apesar de responder prontamente, é muito comum vermos em reuniões executivas, profissionais de altas posições serem questionados sobre números ou questões diversas e responderem com informações vagas ou incompletas ou até mesmo equivocadas, porque simplesmente não sabiam a resposta.  Uma mistura de sentimentos que vão de “preciso responder e passar confiança”  e “socorro onde é a saída” se escondem atrás de uma resposta imediata.  Qualquer coisa para evitar o maldito “não sei”.

A falsa impressão de que temos que saber tudo e ter sempre todas as respostas cria uma pressão imensa sobre os profissionais. E o fato de não ter uma resposta não é uma opção aceita em muitas empresas e por muitos profissionais, que acabam por fazer com que essa pressão vire realidade em alguns ambientes: aqui não se aceita “não sei”. E convive-se com respostas criadas apenas para satisfazer o ego.

Eu, particularmente, já vi executivos “criarem” respostas que visivelmente não representavam a realidade da empresa. Questionados, se equilibravam entre palavras como “claro” e “veja bem” até que o assunto ficasse tão confuso que alguém anotasse como um item para ser revisto na reunião seguinte.

Sabemos que é humanamente impossível termos todas as respostas possíveis para todas as perguntas cabíveis que possam surgir em uma reunião. Mas ainda assim, em diversos ambientes, responder “não sei” é um tabu, um sinônimo velado de incompetência ou falta de preparo.

Evidente que precisamos, como profissionais, estar preparados para as mais diversas situações. Precisamos ter conhecimento sobre os fatos e dados do negócio, projetar as possíveis dúvidas e questionamentos que podem surgir, considerando o tema e a audiência. Mas, ainda assim, algum dia vai haver uma situação em que alguém questionará algo em que não pensamos. Um número que não buscamos. Uma informação que não checamos. E é aí, que os profissionais precisam assumir sua posição humana. Ambos: o que pergunta e o que não sabe a resposta.

Porque essa falsa postura de sabe-tudo faz mal a todos. Respostas vagas não satisfazem quem quer uma informação precisa. Respostas inventadas na hora, apenas para sair daquela saia justa, prejudicam o negócio.

Aprenda a dizer “não sei”.  Há formas mais “corporativas”, digamos assim, de fazer isso sem parecer desinformado ou descomprometido.

Conheça seu negócio, seu mercado, sua equipe. Tenha sempre o máximo de informações. Mas quando não tiver uma informação, seja honesto e busque a resposta depois. “Não tenho esse dado aqui comigo, mas logo que terminar a reunião vou buscar e envio”. “Não tenho certeza desta informação, mas vou checar e já confirmo”. “Acredito que essa possa ser uma hipótese viável, vou verificar e até amanhã mando um parecer mais assertivo depois que rodar algumas análises”.

E rapidamente retorne com uma informação precisa, honesta e confiável. Como você: um profissional, humano, responsável, que pesquisa, revisa dados e responde com informação.

 

Fabiana Marcon é co-fundadora de Self Guru, foi diretora de marketing da Dell Computadores na América Latina, diretora de marketing corporativo no Grupo RBS e diretora-geral de Rádios e Eventos do Grupo RBS.