ARTIGO

Menos blablablá – Walk the Talk :)

Texto de Fabiana Marcon

 

Existem inúmeras variações de ditados ou ditos populares e frases de efeito que falam sobre a importância de “fazer”, a soberania da ação sobre as palavras.

Você certamente já leu ou ouviu alguma destas frases, não é?

Vamos fazer um exercício de memória, voltar ao passado. Quando ainda somos crianças e dizemos pra mãe ou pro pai que vamos arrumar o quarto, mas não arrumamos. O quarto continua bagunçado, porque não basta falar. Quando a gente fala e não faz, as coisas não acontecem. Simples assim.

Mas a vida vai ficando mais complexa. Falar é mais fácil do que fazer. E aos poucos surgem dezenas de discursos que nunca se concretizam. Só que a verdade é que as ações continuam sendo soberanas às palavras. E vale para tudo: relações pessoais, familiares e amorosas, planos e posturas profissionais, tudo. Discursos quando não são postos em prática não viram realidade.

Lembra daquele namorado (ou namorada) que vive prometendo que nunca mais vai ter aquela crise de ciúmes, mas depois de dois ou três meses está fazendo tudo igual? E você pensa “por que que ele (a) não faz o que falou?” A relação não melhora, porque não basta falar que vai mudar, é preciso mudar de fato, agir de forma diferente. Porque discursos quando não são postos em prática não mudam a vida, não viram realidade.

Quando você diz que vai começar a dieta, mas não começa, aposto que você não emagrece. Comigo pelo menos é assim.

Na vida profissional também funciona assim: não basta dizer. É preciso fazer.

Sabe aquele chefe que fala da importância da reunião de resultados, para o time estar alinhado? Que defende que chegar na hora e estar presente nos encontros da equipe é sinal de comprometimento e respeito com os outros? Mas que vive desmarcando os compromissos, sem qualquer consideração com as agendas dos outros, sempre chega atrasado ou sai antes de terminar? É, meus amigos! Adivinha o que a equipe dele pensa sobre as reuniões que ele marca? Perda de tempo: comparecem por obrigação, acham improdutivas e não sabem nem porque ainda mantém o tal compromisso na agenda, porque afinal de contas, quem se importa?

E o gestor que passa horas discursando sobre a meritocracia na empresa, mas chega no final do ciclo de avaliação e promove seus amigos, os “membros do clube”? Pergunta para os funcionários da empresa se eles ainda acreditam na meritocracia.

No mundo corporativo é muito comum ouvir “lidere pelo exemplo”. E para liderar pelo exemplo é preciso de líderes que façam acontecer, que ajam, que coloquem em prática os lindos discursos. Porque empresas são formadas por pessoas. Não há como uma empresa ser honesta, ser verdadeira, colocar seus discursos em prática se seus líderes e suas equipes não agirem desta forma.

Se você se satisfizer com discursos, você não sai do lugar. Não entrega resultados. Não evolui. Se os líderes de uma empresa viverem à base de discursos, a empresa não cumpre com a sua palavra e perde credibilidade.

Tem um ditado americano, muito falado no ambiente corporativo, que diz “Walk the Talk”, que em uma tradução, não literal, significa “Faça o que você diz”. Porque a intenção não é inibir os discursos inspiracionais e motivacionais. A intenção é que os discursos traduzam intenções e as intenções se transformem em ações.

Empresas que não praticam o que dizem, seja para seus clientes ou para seus colaboradores, geram frustração e decepção. Eu consideraria até um ato de desonestidade.

Pessoalmente, acho vazio, não vejo sentido em quem tem esse hábito (péssimo hábito) de falar e não fazer, de falar uma coisa e fazer outra, pregar algo que não coloca em prática. Pense na sua situação, na sua vida: se você quer alguma coisa, se você valoriza algo, só falar sobre isso, discursar sobre seu sonho e seu potencial, não vai aproximar você do seu objetivo.  Você pode passar anos falando deste assunto, mas somente essa fala não vai levar você ao seu destino. Você precisa acreditar, ter sonhos, planos, desejos, propósitos, pode (e às vezes deve) tangibilizar tudo isso em discursos, comunicando e inspirando mais gente. Mas para esse discurso virar realidade, é preciso ação.

Algumas vezes, no entanto, o discurso não se torna ação por falta de condições ou habilidades. Nesse caso, entre o discurso do que se pretende fazer e a falta de capacidade de fazê-lo, cria-se a inércia. Não é falta de coerência como no caso do gerente falador, nem falta de consciência como no caso do namorado ciumento.

Mas se é isso que separa sua fala das suas ações, você está se privando de realizar suas ideias. Há várias formas de aprender, se desenvolver, criar as condições necessárias para que seu discurso se concretize. Os estudos mais tradicionais apresentam o Modelo de Aprendizagem 70/20/10 (10% do aprendizado vem de treinamentos formais, 20% da interação com outras pessoas e 70% de experiências práticas). Um novo estudo desenvolvido com estudantes demonstra que 50% deles aprende em discussões em grupo e 75% fazendo na prática. Então há sempre caminhos para aprender, para pedir ajuda, para transformar falas em planos e planos em ações.

Fale e faça o que você acredita. Faça o que você diz que vai fazer. Prometa e cumpra. Walk the talk!

 

Fabiana Marcon é co-fundadora de Self Guru, foi diretora de marketing da Dell Computadores na América Latina, diretora de marketing corporativo do Grupo RBS e diretora-geral de Rádios e Eventos do Grupo RBS.