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ARTIGOS




A evolução do meu entendimento sobre feminismo.

Texto de Luciana Madrid

Confesso, não simpatizava com o feminismo.

Não me sentia oprimida, nunca senti que minha voz não era ouvida por ser mulher, sendo que, na maior parte da minha carreira, trabalhei em ambientes majoritariamente masculinos.

Até que, um dia, fui trabalhar em uma empresa que levava a sério a questão de diversidade e inclusão, há mais de 10 anos! Comecei a despertar para uma realidade muito além do meu próprio universo. Aprendi sobre a baixa representatividade de mulheres em posições de liderança, sobre o preconceito inconsciente que até nós mulheres temos (ainda me incluo neste grupo), sobre a diferença salarial entre homens e mulheres, sobre como as mulheres tendem a se comportar e se comunicar de forma ‘diminutiva’ (ao invés de assertiva), mesmo estando corretas.

Empresas são um grande motor de transformação social. Quando estão comprometidas com questões de diversidade podem abrir horizontes de muitos e transformar a vida de alguns. Foi a empresa que me despertou para o problema e me instruiu com números, estratégia, políticas e ações. Empresas que vão além do ‘modismo da diversidade’ e agem com intenção e perseverança podem mudar a sociedade.

Foi, então, que comecei a me observar e observar os outros, perceber a dinâmica das reuniões. Comecei a ver com outros olhos os quebra-gelos invariavelmente sobre futebol, comecei a notar que alguns homens somente aceitavam a minha opinião quando um outro homem a validava e entendi as sutilezas do ‘teto de vidro’.

Porém, foi recentemente que passei a ter uma visão ainda mais ampla sobre as questões das mulheres e me sensibilizar ao fato de que os desafios femininos vão além das questões corporativas, começam em casa. O desrespeito do pai, do parceiro, do tio, ou até do filho, a violência, as mutilações, o feminicídio.

Cada vez sinto mais necessidade de ser vocal, de falar por mulheres que são demitidas na licença maternidade, que não são contratadas porque estão em ‘idade de ser mãe’, que não são promovidas porque tem filhos. Mulheres que deixaram de trabalhar durante a pandemia em prol de seus maridos, mulheres que não tiveram os meus privilégios.

A Self Guru é um ambiente feminino, somos duas sócias mulheres e nossa rede de especialistas é composta majoritariamente por mulheres. Sem perceber, eu e a Fabi seguimos trilhando caminhos historicamente masculinos. Segundo estudo da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), apenas 15,7% dos empreendimentos no Brasil são liderados por mulheres. Nosso caminho não está a serviço de uma bandeira, mas acredito que estamos contribuindo para um mundo mais aberto.

Estamos dando asas a nossos desejos e capacidades.

Lá no fundo, não é este o verdadeiro significado da diversidade?

Luciana Madrid é co-fundadora de Self Guru, foi diretora de Recursos Humanos da Dell Computadores América Latina.

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