ARTIGO

É pelo computador?

Por Cibele Sanches, Facilitadora & Coach, multi especialista em RH, especialista em Indústria 4.0

“Como assim … é pelo computador?” … Ah, tantas vezes ouvi isso … e tantas vezes ainda ouvirei.

Trabalho com processos formais de coaching remoto há 3 anos, pois processos informais devem fazer mais de 10. Já dei treinamento e mentorias à distância sobre diferentes assuntos e em diferentes ferramentas tecnológicas. Quando minha atuação era dentro das empresas. Lembro quando, há mais de 10 anos, falávamos em entrevista por telefone (não era nem por Skype) e isso simplesmente parecia um absurdo. Depois tivemos o acesso melhor a internet e ferramentas de comunicação instantânea que não contavam mais somente com a voz e sim com a imagem. Entramos na era dos e-learning, tanto os ao vivo como os gravados. Temos possibilidade de fazer vídeo conferência de nossos celulares em qualquer lugar que tenha transmissão de dados. Vemos os telejornais com múltiplos apresentadores ao mesmo tempo em diferentes localidades interagindo como se estivessem ao mesmo tempo no mesmo lugar. Temos o presidente da nação com o maior poderio militar do planeta impactando o mundo com até 140 caracteres de sua conta do Twitter. Ou seja, vivemos tempos bem modernos!!! Diante de tudo isso, por que um processo de desenvolvimento precisa ser mandatoriamente presencial? Escuto de alguns profissionais que processos à distância são impessoais, frios e que não tem a mesma qualidade … é um ponto interessante … vamos há alguns dados.

Segundo Morgam, Harkins & Goldsmith (2004), no livro “The Art and Practice of Leadership Coaching” eles trazem alguns dados sobre a entrada do coaching no mundo empresarial, inicialmente como instrumento para recuperação de performance (ou seja, só fazia coaching quem estava muito mal na empresa). Com os resultados, foi percebido que com se esta metodologia ajudava quem estava com dificuldades, poderia fazer muito bem para quem tinha boa performance, adquirindo parte do viés que tem hoje, de meio para aperfeiçoamento e não apenas correção. Este movimento veio muito forte nos Estados Unidos, quando os processos eram feitos em um bom número por: telefone. Isso mesmo, através de uma ligação telefônica, e nem era celular, nem tinha viva voz, capaz até de ser telefone de disco. Ironias tecnológicas a parte, a questão é que não é uma ferramenta nova a possibilidade de realizar processos à distância. Vamos mais longe? Aos que tiveram oportunidade de estudar um pouco sobre Freud, lembrarão que ele trocava correspondências com alguns de seus pacientes e utilizava isso como parte do processo de análise dos mesmos … e isso há 100 anos atrás … imagina o que Freud faria na era do WhatsApp!!! Mais um exemplo? Nos Estados Unidos existe uma plataforma na web, com altos níveis de desempenho e eficácia, para dar suporte a quem tem transtorno de ansiedade e está em momento de crise … além de ser baseada na internet e consequentemente à distância, o atendimento é feito por um robô, não há interação pessoa – pessoa e mesmo assim o processo é muito eficaz.

Estes são só alguns exemplos. Claro que não estar presente fisicamente muda algumas coisas, algumas informações são transmitidas e recebidas de forma diferentes. E nisso é bom lembrar que o ser humano é dotado de mais de um sentindo, quando uma forma de percepção é privada, outras se sobressaem.

Estar remoto (sem imagem) faz com que, naturalmente, se tenha muito mais atenção em tudo que a voz comunica (que não é só a fala). Do lado de quem está se desenvolvendo, seja treinamento, reunião ou mesmo um cliente em processo de coaching, também permite este a se concentrar mais em si mesmo, uma vez que ele não tem “ninguém o olhando”. E sim, eu já recebi este comentário de clientes. Duas outras grandes possibilidades do desenvolvimento remoto para o participante é não ter que gastar tempo e dinheiro em deslocamento, além da flexibilidade de agenda. Pode cuidar do seu desenvolvimento onde quer que esteja, desde que com acesso a um telefone ou computador e que se sinta confortável para fazer uma sessão de coaching, mentoria ou mesmo um treinamento.

Vejo também que a modalidade de desenvolvimento remoto é mais aceita para alguns tipos de público, como pessoas com perfil mais prático e também que já estejam acostumadas com reuniões e relacionamento à distância. Desenvolvimento à distância é apenas uma opção óbvia e natural para este público. Pode ser aplicado a qualquer público, pois, por exemplo, no caso de um processo de coaching, a conexão Coach-coachee ocorre pela técnica do Coach, não por estar presencial. O estado de flow ocorre do mesmo jeito … talvez até melhor.

Para quem nunca fez uma atividade de desenvolvimento à distância, a percepção de viabilidade e benefício desta modalidade é muito influenciada pela cultura e construção de valores. Para quem já passou por uma experiência, sua opinião é formada pela habilidade e naturalidade que o facilitador conduz o processo e faz a pessoa chegar a resultados. Podem existir preferencias, mas com certeza, não existem limitações além das próprias do processo de desenvolvimento … tem dúvida? Experimente, teste, converse com um profissional que trabalhe assim ou mesmo alguém que já tenha passado por esta experiência. Busque fazer uma sessão de desenvolvimento à distância … você se surpreenderá.