ARTIGO

Como eu descobri que era hora de mudar

Por Lu Madrid, co-fundadora Self Guru

São muitos os motivos que podem nos fazer pensar em mudar de trabalho, pode ser o chefe, pode ser a empresa, pode ser o trabalho em si. É comum a gente pensar que, se queremos mudar, algo é intrinsecamente ruim. Pode ser que seja, mas minha experiência foi bem diferente. Eu tomei a decisão de mudar e nada disso era ruim. Ao contrário, era bom e essa talvez seja a mais difícil das decisões.

Como eu descobri que era hora de mudar? Tudo começa com um desconforto. E esse desconforto eu não sei bem de onde vem, mas acredito que está ligado em sentir um gap entre o que somos e o que gostaríamos de ser. Isso não é estanque. O que somos muda e o que gostaríamos de ser também. Então, o desconforto surge assim, um dia, do nada…

Quando eu comecei a sentir esse desconforto, a primeira coisa que eu pensei é: por que isso? Tá tudo bem! Eu adoro a empresa em que trabalho, o meu time, minha líder, o time de liderança. Sou reconhecida pelas minhas contribuições, tenho flexibilidade para trabalhar de casa e ficar mais próxima dos meus filhos. Por que mudar?

O tão falado autoconhecimento

Tive a oportunidade de fazer um assessment (avaliação de perfil). Ao receber a devolutiva, entre vários pontos, identifiquei que tinha um aspecto que estava zerado. Por curiosidade, perguntei pro profissional que estava conduzindo o processo comigo o que aquilo significava. Ele me disse que aqueles pontos estavam vinculados a minha satisfação com as minhas atividades naquele momento. Parei, respirei… como assim? Não tinha nenhuma pergunta específica sobre isso no assessment! Me emocionei, porque sabia que algo não estava bem mesmo, mas eu não sabia justificar.

A partir daí, comecei a levar mais a sério o que estava sentido e decidi investigar mais e procurar alternativas. Instrumentos de avaliação são valiosíssimos e podem nos abrir os olhos para vários sentimentos e atitudes que não conseguimos descrever sozinhos.

Ainda sobre autoconhecimento

Sempre tive como pontos fortes a visão estratégica, assessments anteriores mostravam a minha vontade de explorar, tentar coisas novas. Esse último assessment falava sobre uma Luciana hands-on, pragmática, atenta a detalhes, reservada. A boa notícia é que eu realmente me desenvolvi muito em pontos que eram minhas oportunidades de melhoria. A má notícia era que eu não me reconhecia mais. Era realmente a hora de explorar, a razão poderia me levar para um caminho de estabilidade, mas a minha essência precisava trilhar novos caminhos.

Criando cenários

Mudar pra onde? A gente pode ter certeza da mudança, mas nem sempre já sabemos qual é o próximo passo. Iniciei um processo de coaching e comecei então a desenhar cenários. Possibilidades novas dentro da empresa onde eu trabalhava, possibilidades externas, qual a minha condição financeira para arriscar? Coloquei tudo no papel. Comecei a conversar com as pessoas sobre mudança, meu marido, meus amigos, a minha líder na época, com colegas em que confiava muito. Fiz contas, organizei o orçamento familiar.

A oportunidade e a decisão

Dizem que a oportunidade é um cavalo encilhado que passa de tempos em tempos. Temos que estar preparados pra cavalgar naquela hora. Se pensar muito, ele já passou. Mas veja bem, não é qualquer cavalo. Ele tá encilhado, prontinho pra montar. Eu tinha feito muitas reflexões, desenhado cenários, mas não tinha, de fato, mudado nada. Surge um momento de revisão da estrutura organizacional da empresa na qual eu trabalhava. Ao ser confirmada para seguir na posição em que estava, ao invés de ficar feliz por estar com meu emprego garantido, veio a frustração por não mudar. E foi então que decidi que era hora de partir.

Foi bem difícil, como dizem os americanos, senti ‘butterflies in my stomach’, uma forma bonitinha de dizer que sentimentos reverberam no corpo. Naquele momento, a minha vontade de explorar novos caminhos era mais forte. A minha relação com a empresa era tão intensa, que eu não conseguia ‘prospectar’ o mercado enquanto trabalhava lá. Não por uma questão de tempo, mas de coração mesmo. Optei por fazer um ano sabático e explorar o novo mundo, o que é assunto para um outro post…

Resumi aqui em umas 700 palavras, um processo de aproximadamente um ano. Foram muitas conversas, muitas reflexões. Meus alicerces para mudança foram os cenários que desenhei neste processo, as contas que fiz, o meu otimismo e a minha confiança de que sempre existe trabalho pra quem se dedica.

Olhando pra trás, vejo que a ideia da Self Guru surgiu e foi tomando forma com base no caminho que trilhei, caminho do autoconhecimento, das conexões, da ajuda de especialistas, histórias e pessoas que me inspiraram e um vontade enorme de contribuir para a jornada de outras pessoas. Se você está desconfortável, não ignore, explore e descubra novos caminhos.