ARTIGO

A meta mata o amor? Ou a falta de amor é que mata a meta?

Por Fabiana Marcon – co-fundadora Self Guru

Já ouvi essa frase em alguns ambientes corporativos: a meta mata o amor.  Uma metáfora para descrever como as metas inatingíveis, ou a simples existência de uma meta objetiva que define a busca por resultados – necessária em todas as organizações – é capaz de mudar a dinâmica das equipes, deixando de lado sentimentos  e comportamentos importantes para a alegria das equipes.

Já vi isso acontecer, de fato, em alguns ambientes. A busca frenética pelo resultado definido como meta da equipe, fez com que as pessoas esquecessem como era divertido trabalhar ali, criou frustrações, deixou de lado a beleza que havia na criação diária do produto que eles entregavam ao mercado –  tudo girava apenas em torno de atingir a meta no final do período.

Mas todas as vezes em que vi situações como essa, havia um denominador comum: uma liderança frágil. Às vezes autoritária. Às vezes egoísta. Às vezes simplesmente fraca, pouco engajada com a equipe, sem atributos  básicos necessários em uma relação de liderança, como confiança mútua, delegação responsável, reconhecimento sincero. Então quem mata o amor não é a meta, é o líder fraco.

Um líder que não consegue engajar sua equipe corretamente, que não joga no mesmo time, que não conquista a confiança de seus liderados acaba por simplesmente impor metas. Metas que acabam com equilíbrio entre vida pessoal e profissional, porque  exigem horas intermináveis de trabalho. Metas que destroem o clima da equipe, porque ignoram a importância das relações e descartam a cumplicidade do cotidiano na realização das ações, já que isso não importa mais. Metas que quando atingidas impactam no reconhecimento do “chefe” perante seus superiores, mas pouco impactam no crescimento da equipe, porque nessas situações, o reconhecimento da equipe normalmente vem em forma de confete ao invés de gerar recompensa profissional.

Mas se a meta não mata o amor, a falta de amor mata, sim, a meta.

Uma equipe sem engajamento, sem cumplicidade e sem confiança mútua, não atinge metas. Pode fazer o resultado de um ou outro período, mas não atinge resultados consistentes.

E o oposto também é verdadeiro.

Já vi pessoas assumirem funções adicionais, porque, engajadas com seus pares e líderes, queriam muito atingir o resultado. Já vi pessoas abrirem mão de cachês e comissões individuais para atingir e superar as metas da equipe. Já vi equipes se mobilizando para que seu líder apresentasse um resultado melhor e pudessem comemorar juntos.

Em um ambiente colaborativo, de engajamento total, onde as pessoas se comprometem com o time, jogam realmente juntas pelo bem comum, confiando no seu líder que confia no seu time, cria-se um ambiente de amor corporativo – pela camiseta e pelas pessoas – que não há meta que resista!