ARTIGO

O bom líder e seus 3 mandamentos

Texto de Fabiana Marcon

 

Quem já teve um bom líder, daqueles que serve de inspiração, que ajuda a crescer, que vira um exemplo de vida, líder mesmo sabe?

Ah, quem já teve não esquece… E nem quero entrar aqui na discussão semântica de líder ou chefe. Pode ter sido um baita líder e ser chamado de chefe, chefão, chefona, chefia… O nome não importa. Importa o sentimento, a lembrança, o legado. É disso que estou falando. Porque liderança verdadeira se sente e deixa legado.

Há um ditado, não sei se corretamente atribuído a Maya Angelou que diz que as pessoas esquecem o que você diz e faz, mas não esquecem como você as faz sentir.

Líderes de verdade despertam sentimentos. Por isso são inesquecíveis.

Esses dias li mais um artigo sobre as duras verdades da liderança que falava sobre isso.

Das verdades trazidas no artigo, gostaria de destacar três adicionando, evidentemente, meu ponto de vista e experiência nesses pontos que acredito que façam a diferença em uma liderança efetiva e real.

Então, aqui vão os 3 mandamentos desse artigo.

Não fugirás dos conflitos!

SIM! Não tente colocar os conflitos para baixo do tapete, fugir ou fingir que não viu… Se existem conflitos, enfrente!

Conheço vários líderes que se esquivam. Diante de conflitos, sorriem,  evitam discussões, não respondem ou atendem ligações para não precisar responder… Acreditam que “as coisas se acomodam”, como se desaparecessem se não forem discutidas.

Concordam publicamente com situações que discordam para não encarar o conflito. E, nos bastidores, “descombinam” o combinado. Depois, culpam o sistema, a burocracia, o outro time, a lua ou o que seja pela combinação ter falhado. E segue o baile.

NÃO! Não pode funcionar… Já vi esses líderes serem chamados de fracos, mentirosos, sem caráter por pessoas de seus times. Não há hipótese de que esses líderes conquistem a confiança de suas equipes. Não existe relação, no mundo, que sobreviva a eternos panos quentes.

Conflitos existem. Sempre existiram e sempre existirão. Cabe ao líder identificar, entender o que está acontecendo, compreender os diferentes ângulos e interesses envolvidos, os riscos, oportunidades e prejuízos. E auxiliar na condução de uma solução, com razões claras, transparentes.

 

Primeiro os Funcionários, depois os Clientes!

SIM! Sei que essa pode gerar polêmica! Quem já trabalhou comigo sabe que sou super “customer-centric”, acredito muito que o cliente deve estar no centro das decisões da empresa e guiar desde a criação do produto.

Mas, não acredito que funcionários frustrados, infelizes ou decepcionados sejam capazes de prestar bom atendimento, ou desenvolver produtos ou serviços focados na satisfação do cliente. Se ele não estiver satisfeito com a empresa, vai transferir essa insatisfação. E, no fim do dia, a empresa pra cada funcionário, se materializa na pessoa do seu líder direto.

Se pensarmos um pouco mais didaticamente, o funcionário, de certa forma, é o primeiro cliente interno no líder. Entender seus anseios, suas necessidades, dar-lhe condições de trabalho e crescimento, respeito e suporte é permitir e proporcionar que ele faça seu melhor trabalho. É assim que, por consequência, o cliente final da empresa recebe qualidade superior.

 

Crescei e multiplicai!

Quem tem medo de ver o time crescer? Líderes fracos! Pronto falei!

Líderes maduros e seguros se preocupam com suas equipes. Pensam no seu crescimento. Querem ver seus talentos crescerem. Discutem planos de carreira e auxiliam a entender o que falta para aquele indivíduo poder ocupar aquela nova desejada posição, identificando gaps e oportunidades. Reconhecem o crescimento. Elogiam em público, dão feedback em áreas de melhoria individualmente. Delegam novos desafios. Motivam.

É muito gratificante ver pessoas que eram assistentes assumindo, com sucesso, posições de gestão executiva. É recompensador ver o crescimento e desenvolvimento de profissionais  que utilizaram o seu conhecimento e mentoria para se desenvolver.

 

E é por essas (entre outras) coisas que um bom líder, mais do que lembranças, deixa um legado.

Deixa uma marca na memória, e uma porção de aprendizados. É mais do que a recordação do jeito de lidar com as situações. É o sentimento de ter sido ouvido, valorizado, apoiado. Mais do que o histórico profissional trilhado, é a lembrança de ter tido alguém com quem contar, com quem trilhar esse caminho. E um exemplo a seguir.

 

 

Fabiana Marcon é co-fundadora de Self Guru, foi diretora de marketing da Dell Computadores América Latina, diretora da marketing corporativo do Grupo RBS e diretora-geral de Rádios e Eventos do Grupo RBS.